Entrevista – Neide Harue

Em Entrevistas

Neide e Ataíde - foto tirada no início dos anos 80 no I Encontro de Quadrinistas em Araxá (MG).

A entrevistada da vez é considerada uma das primeiras mulheres a fazer quadrinhos no Brasil. Neide Harue atuou a partir de 1986 e durante os anos 90 publicando histórias no estilo mangá. A mais conhecida é Drácula, A Sombra da Noite, que fez em parceria com o roterista (e seu marido) Ataíde Braz. Drácula possui 300 pág. foi dividida em 5 edições e publicada também na França, Bélgica e Holanda iq option x apk.

Em uma entrevista feita ano passado Neide cita que quando começou o seu desenho tinha forte influência de mangá, “uma maldição na época” e que “muitos homens ainda acham que uma mulher jamais consiga fazer um desenho acadêmico.” E  incentiva: “para as garotas que sonham com as HQs, posso dizer para viverem integralmente esse sonho, enfim, deem tudo de si, para que futuramente não sintam frustrações de espécie alguma. Eu vivi e existi, com total consciência e posso dizer, sem arrependimento.

Valéria Fernandes, autora do blog “Shoujo Café” – um dos melhores sobre mangás - narra aqui seu contato com a HQ – trabalho que considera o mais próximo do legitimo mangá www.dream-trading.co.mz/1xbet-promo-code-and-deposit-bonus.


Confira a entrevista

Lady’s – Por que escolheu desenhar HQs?

Neide – A verdade é que não houve “escolha”. É como se desenhar HQs sempre fosse o meu destino. Sei que soa dramático, mas o fato é que, essa “profissão” estava em meu sangue desde sempre…

Lady’s – Quais os autores e quadrinistas que te inspiravam?

Neide – Eu admirava a arte final do Alcala e das mulheres do Milo Manara. Anteriormente, minha influência foi todo do mangá.

Lady’s – Haviam mais mulheres publicando quadrinhos na época em que começou?

Neide – Não tenho conhecimento de outras mulheres desenhando quadrinhos. Tinha algumas que faziam cartum. Mas é possível que no Estúdio do Mauricio de Souza houvesse alguma mulher desenhando seus personagens código promocional.

Lady’s – Houve algum tipo de preconceito por ser mulher e ter escolhido fazer isso?

Neide – Não posso dizer que sofri preconceito. Sempre, desde o início, pude transitar livremente entre os desenhistas (muitos, vários notáveis) e editores independentes, falar livremente, apresentar projetos, etc. Houve ocasiões em que senti preconceito sim, mas foi em relação ao meu estilo de desenho na época, muito influenciado pelo “mangá”. Mas tudo se mostrou passageiro.

"Drácula" se passa em SP, na primeira cena mostra a Estação da Luz.

Lady’s – De onde surgi às idéias para os desenhos? Baseava-se em alguma pessoa para desenhar mulheres?

Neide – As idéias vinham do roteiro, sempre criados pelo Ataíde Braz, que eu sempre considerei o melhor roteirista. Discutíamos muito até chegarmos a um consenso. Depois, era só mergulhar no mundo dos desenhos. Simplesmente fantástico! Muitas vezes, aliás, era muito comum, caminhar, viajar, onde quer que eu estivesse, sempre observava atentamente vários rostos, perfis, algum detalhe que me despertasse a atenção, para posteriormente utilizar em meus desenhos.  Pesquisava os tipos de roupas que pudesse representar e indicar visualmente a personalidade de cada uma. Ou seja, procuro sempre transmitir a essência das personagens no visual, no jeito de se vestir, de se portar. Nas capas, nos personagens masculinos, me baseie em alguns atores que estavam em destaque na época. Uma forma de chamar a atenção das mulheres para a revista.

Lady’s – Por que parou de desenhar?

Neide – Após o nascimento de minha filha, não quis criá-la na Capital do Estado (SP), e sim, no interior, onde acreditei que a vida teria mais qualidade. Com a distancia, os trabalhos se tornaram escassos.

Lady’s – Ainda lê quadrinhos? O que acha da produção atual?

Neide –  Atualmente, estou muito afastada do mundo dos quadrinhos, mas o pouco que vi me faz crer que o sonho não acabou! Há muitos sonhos se realizando… E bem!



Lady’s – O que mais sente falta de quando fazia HQs?

Neide – Ah, sim. O prazer de fazer, trabalhar em algo que se ama é indescritível!
É isso. Agradeço ao interesse pelo meu trabalho e que o site continue divulgando o trabalho das mulheres, pois o talento se impõe, mas a divulgação incentivará outras mulheres a abraçarem a profissão e aumentar a visão feminina nos Quadrinhos!

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Entre o nonsense e o grotesco – os quadrinhos de Jucifer

Em Autora,Estilo

Na revista portuguesa Mesinha de Cabeceira #200,  editada por Chili com Carne,  temos algumas quadrinistas na edição, como Joana Figueiredo, conhecida como Jucifer.

Revista publicada em 2006

A história em quadrinho feita por Joana chama a atenção mais pela falta de sentido no meio de todas as outras da revista. “Gang-raped by Dolphins” traz uma sequência de fatos bizarros para o final mais nonsense ainda. Não que isso seja ruim, é ótimo para quem gosta de quadrinhos sem lógica que conseguem de alguma forma te deixar atônito por não ter uma linearidade ou final coerente.

No quadrinho Dolphins, os personagens são compostos por um traço limpo e com linhas simples. Suas figuras humanas são mescladas com o surreal e algumas dessas tem uma feição grotesca. Esse grotesco também está presente em boa parte dos desenhos feito por Jucifer, mas diferente da HQ citada, ela abusa dos traços imperfeitos em preto dando um ar tosco na composição das cenas inusitadas.

Sobre Jucifer
Nasceu em Lisboa há 30 anos e desde 2001 faz quadrinhos. Foi autora ou co-autora de fanzines de banda desenhada e ilustradora de livros, pôsteres.

Alguns fanzines de Joana

Além disso, já colaborou com revistas como, por exemplo, Mutante & Survive, Crack On, SPX 09.

Joana também participa de exposições. A última foi apenas com seus trabalhos: Jucifer – “Poder até podia…”.

Exposição "Poder até podia..."

Se essa falta de sentido e de linearidade no trabalho de Jucifer é uma forma de explorar as possibilidades dentro dos quadrinhos, é uma experimentação bem feita. Vale a pena conhecer o trabalho dela. :)

Blog de Jucifer.

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As dúvidas de Erika

Em Autora

Erika - foto de Lori Matsumoto

Por  Gabriela Belderrain - estudante do curso de Comunicação Social – Midialogia na Unicamp

Para Erika Moen, se apaixonar por um homem foi um grande problema. Afinal, ela tinha construído toda sua identidade social, sexual e política como lésbica. Podemos acompanhar suas dúvidas e questionamentos (e, enfim, resoluções) no seu webcomic autobiográfico DAR! – A Super Girly Top Secret Comic Diary. Ela começou em 2003, enquanto ainda estava na faculdade e num relacionamento instável com sua primeira namorada, e finalizou o projeto em 2009, depois de formada e já casada com Matt Nolan.

Ao longo desse período, acompanhamos a evolução da identidade de Erika, em seus quadrinhos cheios de humor ao se tratar de um assunto tão delicado.

Erika conheceu Matt quando estava fazendo intercâmbio na França e decidiu passar alguns dias em Londres. Matt, que era fã de Erika e acompanhava seu trabalho pela internet, ofereceu-se para hospedá-la, e então o inesperado aconteceu: Erika se apaixonou por um homem, colocando-a numa situação muito confusa. Como ela poderia amar Matt, se ela era lésbica?

Porém, ela resolveu lidar com o assunto em vez de apenas fugir do relacionamento e conseguiu chegar a uma solução, definindo-se como “queer”, que engloba qualquer tipo de sexualidade não-normativa, seja hetero ou homo.

O que antes era um estilo amador, em painéis que eram mais como um diário pessoal da autora, se transformou a ponto de Erika consolidar seu traço e sua habilidade de contar pequenas histórias engraçadas em tiras ou tratar de assuntos mais polêmicos, como a compra de um vibrador em uma série que mais tarde se tornariam posters. Apesar dos temas tratados em seu trabalho ainda serem um tanto pessoais, ela consegue deixar o leitor confortável o suficiente para partilhar algo pessoal nos comentários.

Recentemente Erika finalizou seu projeto em colaboração com Jeff Parker, o webcomic Bucko. A história é sobre  as desventuras de Rich “Bucko” Richardson, que ao ir ao banheiro durante uma entrevista de emprego, encontra um homem assassinado. Com o humor de Parker e a incrível arte de Erika, estes quadrinhos são ótimos para quem gosta de uma história de mistério com toques surreais e divertidos.

Erika já publicou duas antologias de DAR! e um livro em parceria com Lucy Knisley, Drawn to You. Em breve, será lançada uma coleção de quadrinhos eróticos da qual Erika é colaboradora, chamada Smut Peddler Anthology. Também participam Jess Fink , de Chester 5000 XYV, e Spike, de Templar, Arizona.

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